Ambiência pós-porteira: caracterização climática do transporte e da espera na avicultura industrial e severidade de arranhões originados durante a fase de pré-abate

<p><a>O transporte de frangos de corte no Brasil possui características críticas a começar pelas condições dos caminhões utilizados, em que as aves ficam expostas. Outra etapa crítica no pré-abate é a espera no abatedouro, pois muitos locais não possuem sombreamento nem controle de temperatura e umidade. O objetivo deste estudo foi caracterizar o microclima d</a>as caixas que acondicionam os frangos durante o transporte e espera em frigorífico comercial e verificar a incidência e a severidade de arranhões oriundos especificamente da fase de pré-abate. Instalou-se termo-higrômetros em 80 caixas de transporte em 8 carregamentos entre as granjas e o frigorífico. Após a espera avaliou-se arranhões em 80 aves por meio de escores (Escore A: nenhuma evidência de arranhão superficial ou profundo sobre a pele da região ventral, dorsal, das pernas ou sambiqueira; Escore B: pelo menos 1 ou até 2 arranhões superficiais sobre as mesmas regiões e Escore C: 1 arranhão profundo ou presença de pelo menos 3 arranhões superficiais). O Escore A constatou animais sem arranhões, o B arranhões leves e o Escore C arranhões considerados severos. Verificou-se que 50% dos transportes apresentaram temperatura (T) superior à ideal preconizada pela literatura, 87,5% dos carregamentos apresentaram-se com umidade relativa do ar (UR) acima do limite de conforto e apesar desses resultados, apenas 37,5% dos carregamentos apresentaram faixas de entalpia (H) acima do limite de conforto. Os resultados da espera revelaram um estado mais crítico, visto que embora 25% dos carregamentos apresentaram T superiores às recomendadas, 100% dos carregamentos apresentaram UR e H acima da faixa de conforto preconizada, de modo que pôde ser percebido um aumento médio de 2,5% na T e 11,1% na UR e H quando comparado com o transporte. Dos animais avaliados, em média 76,3% não apresentaram arranhões recentes, enquanto que 14,8% apresentaram arranhões considerados leves e 9,20% das aves apresentaram arranhões graves. A maioria dos transportes apresentou condições adequadas de conforto térmico, o que pode ser devido aos mesmos terem sido realizados no período mais fresco do dia e que a espera apresentou condições climáticas mais críticas, que possivelmente se deve ao molhamento dos animais à chegada ao abatedouro, prejudicando as trocas de calor devido à alta umidade e temperatura dentro das caixas. Foi observada alta incidência de arranhões leves e graves e as suas causas precisam ser melhor estudadas e minimizadas.</p>