UMA VIAGEM AOS MEANDROS DO INFERNO VERDE NOS ANOS DE INAUGURAÇÃO DO HOTEL AMAZONAS Planos discursivos da campanha publicitária na revista “O Cruzeiro” 1950-1951

2020-02-11T15:09:19Z (GMT) by Catarina Vitorino
O trabalho tem como objectivo desenvolver uma reflexão crítica sobre a temática ambiental na esfera do discurso da arquitectura e construção, a partir da fórmula “Inferno Verde”, uma designação da floresta da Amazónia proveniente do discurso literário. O objecto de análise incide sobre a campanha publicitária de um hotel em Manaus na década de 1950, examinada segundo o dispositivo teórico-metodológico da análise de discurso de vertente enunciativa, acionando-se um procedimento fundado por uma semântica global. De entre os diversos planos discursivos, objecto de integração nesta análise, destacam-se as noções de intertextualidade, interdiscurso e ethos discursivo, como propostos por Dominique Maingueneau. A investigação realizada incide sobre dois iconotextos selecionados dessa campanha, publicados numa revista ilustrada de grande tiragem em 1950 e 1951, colocando em confronto os efeitos de sentido pretendidos e produzidos, com as condições e instâncias de enunciação. Os resultados salientam as tensões existentes entre sentidos e discursos contrários bem como a utilização na sua retórica da fórmula Inferno Verde como simulacro. Simultaneamente que é engendrada a ilusão de imersão do objecto arquitectónico num universo natural inóspito, é também recriado um simulacro desse próprio espaço, junto do qual o hotel ganha atractividade por constraste e distanciamento, e o qual, quando perpetuado como contaminante no discurso da modernidade condiciona o entendimento do ecossistema natural apenas como paraíso tropical enquanto murado, domesticado e em suma, urbanizado.