Influência do ambiente térmico no consumo de matéria natural de touros Nelore confinados utilizando o sistema GrowSafe

Muitos estudos com bovinos taurinos já foram realizados para investigar o efeito da temperatura ambiente elevada sobre o consumo de alimentos. Entretanto, com zebuínos, especialmente animais da raça Nelore que é a raça de maior número no Brasil, estes estudos são escassos. Assim, objetivou-se neste estudo compreender a influência da temperatura e umidade do ar no consumo de alimentos de touros da raça Nelore utilizando o sistema GrowSafe® no microclima Cerrado. Cinquenta e três touros da raça Nelore com idade de 18 a 20 meses foram confinados em dois piquetes com sombreamento de aproximadamente 3m² por animal recebendo a mesma dieta. As variáveis ambientais foram mensuradas por data loggers e o consumo diário de matéria natural foi obtido pelo sistema GrowSafe®. Calculou-se o índice de temperatura e umidade (ITU). O ambiente térmico apresentou variações esperadas entre as horas do dia para a região do Cerrado, sendo o período mais quente das 10:00 às 15:00 horas e os mais amenos das 8:00 às 10:00 e das 15:00 às 18:00 horas, porém não ultrapassou a zona de termoneutralidade. O maior consumo de matéria natural ocorreu no período de maior desafio térmico, entretanto não caracterizou como condição de estresse. Nos horários de menor consumo, provavelmente os animais preferiram descansar e ruminar, visitando menos o cocho. O consumo de matéria natural teve relação negativa com todas as variáveis ambientais, especialmente com o ITU, com uma redução de 4,099 Kg a cada aumento de unidade do ITU. Não houve redução do consumo de matéria natural quando o ambiente térmico foi caracterizado como desconforto, ITU acima de 74. Dessa forma, nas condições experimentais deste estudo, o ambiente térmico não promoveu alterações no consumo de matéria natural dos touros da raça Nelore, pois mesmo no período do dia mais desafiador os animais apresentaram maior consumo desta.