Comportamento de galinhas poedeiras submetidas a diferentes manejos de bico e sistemas de criação

A debicagem e o uso de gaiolas são rotineiramente utilizados em granjas comerciais sob o argumento de que evitam a mortalidade e maximizam a produção. Todavia, há crescente preocupação com o bem-estar das poedeiras submetidas a estes dois métodos. Assim, objetivou-se com este estudo avaliar se o manejo do bico e o sistema de criação afetam o comportamento de galinhas poedeiras. Na fase de produção utilizou-se o delineamento em esquema fatorial 2x3, com dois sistemas de criação (piso e gaiola), três manejos de bico (debicagem por radiação infravermelha, lâmina quente e sem debicar), com quatro repetições. Foi realizada a avaliação comportamental pela frequência de comportamentos de bicagem de penas e bicagem ambiental e, comportamentos positivos, como banho de areia e movimentos de conforto. No último dia foi mensurado o escore de pena das aves através da severidade de lesões em sete regiões corporais distintas. Para o teste de médias foi utilizado o teste F (P<0,05) e, se necessário, o teste de Tukey (P<0,05). O comportamento das aves foi influenciado pelo sistema de criação adotado, em que para os manejos de bico avaliados, a bicagem de penas foi mais frequente no sistema de criação em gaiola. No sistema de criação em gaiolas, a debicagem por lâmina quente apresentou menor ocorrência de bicagem de penas em relação aos demais manejos de bico avaliados. Já em piso, a menor ocorrência de bicagem de penas ocorreu no tratamento sem debicar. Em geral, o tratamento debicagem por lâmina quente resultou em menores frequências de comportamentos de bicagem de penas, bicagem ambiental, simulação de banho de areia e movimentos de conforto. O sistema de criação em gaiola proporciona maior agressividade entre as aves e se não debicadas, determina em maiores danos à plumagem, o que afeta negativamente o bem-estar animal.